
Existem inúmeras definições sobre o que é arte e audaciosamente criei a minha própria forma de traduzir o que entendo e acredito que seja arte. Arte é compartilhar emoções, mesmo tendo controvérsias.A arte incorporou-se à minha vida de forma bastante intensa. Quando adentro em meu ateliê dispo-me do mundo afora e passo por momentos de profunda introspecção até surgir o ímpeto da criação.
No auge das inquietações preparo os materiais e aí é o momento de imergir nas telas.
Muitas vezes nem percebo o tempo passar, tamanha a necessidade de me exprimir. Às vezes, a dor física avisa que é hora de dar uma parada, até mesmo para comer alguma coisa. È inexplicável o que acontece comigo durante o processo de criação e execução de uma obra de arte.
O que chamo de “momento de introspecção” também poderia se chamar “momento da implosão”, ou seja, algo que estoura para dentro, como se fosse uma tempestade de idéias a serem desenvolvidas, elaboradas e postas em prática, mas que ainda está dentro.
O “momento de imergir” na tela poderia ser traduzido por explosão, ou seja, seria a concretização das idéias colocadas sobre a tela através dos gestos, das formas, das cores, das técnicas utilizadas até a execução do trabalho.
Não busco dar explicações sobre minhas pinturas, mas acho que cabe esclarecer que tenho certa admiração pelo que é possível provocar quando tentamos olhar através das superfícies, na tentativa de desvelar o que há por trás das coisas.
Explicando melhor, entendo que as coisas, os objetos, a natureza, as pessoas, enfim, tudo que há no mundo nos contam histórias através de suas marcas, cores, rugas, desgastes, fissuras...uma cadeira novinha talvez tenha menos a contar do que uma cadeira velha, ou um muro por onde já depositaram várias camadas de tinta, de diferentes cores, seja mais instigante do que um muro recém pintado.
Não se trata meramente de se gostar do que é mais velho pelo fato de se ter mais histórias para revelar. Eu quero provocar nas pessoas o desejo de não apenas olhar, mas sim o aprofundamento deste olhar. Olhar e enxergar o mais para dentro possível das coisas que nos cercam, seja uma cadeira, uma pessoa ou uma obra de arte.
Olhar profundamente requer tempo.
Gosto das coisas que me fazem pensar mesmo quando não encontro respostas claras.
Talvez essa seja a maior grandeza que temos: a possibilidade de criarmos soluções diferentes para o mesmo problema, ou até mesmo a possibilidade de utilizar nossas fantasias nesses momentos em que não encontramos saídas mais racionais, afinal fantasiar nos mantém sadios e exercita o imaginário fortalecendo o poder criativo.
Tudo que fazemos por mais tempo, com grande persistência, acaba ficando cada vez melhor, percebe-se o refinamento, as sutilezas. Enfim, acredito no trabalho. Trabalhar com empenho, com prazer só traz alegria e satisfação. É árduo, mas vale a pena pelo sentimento de plenitude a cada obra realizada.
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